O Sangue Menstrual na Magia

Para nossas ancestrais da Idade da Pedra, o sangue menstrual era sagrado. A palavra sacramento provavelmente se origina de sacer mens, literalmente, menstruação sagrada.

Menstruação significa “mudança de lua”. Tem como raiz da palavra mens, mensise está na origem da contagem do tempo. Forma palavras como medida, dimensão, metro,mente, para citar algumas.

Infelizmente, hoje, as mulheres veem a menstruação como um desconforto e procuram várias medidas para se livrarem deste. Assim injetam drogas poderosas em seus organismos sem perceberem quão violento é esse ato e quantas consequências podem trazer.

Isso é muito triste, é uma forte negação do feminino, do poder feminino, negação da própria natureza. É inconsciente, nada sábio. Aliás, se você quiser se conhecer melhor como mulher, e os mistérios femininos, fique atenta às oscilações que você sente durante seu ciclo menstrual, observe a lua e note a diferença de menstruar na lua cheia ou lua nova. Anote seus sonhos e veja as diferenças entre ovulação e menstruação.
Elabore um mapa dos padrões para ajudar você a programar seu ‘tempo da lua’.

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Ritualize sua menstruação:  aumente a fecundidade de sua vida, procure respeitar esse período, que deveria ser de resguardo, de descanso, já que é nesse momento que estamos finalizando um ciclo dentro de nós. Se não puder parar de trabalhar, pelo menos organize uma noite de relaxamento. Celebre! Sozinha, ou com suas amigas, prepare comidas e bebidas especiais para os dias sagrados. Se possível, retire-se para um lugar especial, um lugar seu, seja na sua casa ou na natureza, como um parque, um jardim, e silencie sua mente para escutar a mensagem de seu corpo, sinta o sangue fluir, perceba sua consistência e temperatura, imagine sua cor, sua força e revista-se desse poder. Pense nas suas ancestrais, tente imaginar como era esse período para elas. Agradeça a natureza por este dom.

Uma situação pouco discutida no universo mágico é o tabu da menstruação. Na sociedade contemporânea, a menstruação ainda é vista com reservas. Uma mulher bem educada não pode falar sobre menstruação, cólicas menstruais, ovulação ou qualquer aspecto de seu aparelho reprodutivo – salvo entre outras mulheres. Esse “assunto feminino” deve ser banido para os banheiros femininos, rodas de amigas e consultórios ginecológicos – sempre com o absorvente usado devidamente escondido. Enquanto isso, os rapazes falam abertamente de sua ejaculação, disposição sexual, problemas intestinais, conquistas amorosas e largam camisinhas usadas em todos os lugares, numa forma explícita de demonstrar virilidade. Qual a diferença? A diferença está na regulação imposta sobre o corpo feminino, mais especificamente sobre sua capacidade de reprodução.

Há homens que se recusam a fazer sexo com uma mulher menstruada, definindo a menstruação como algo “sujo”. Outros preferem a mulher menstruada, pensando nos incômodos da paternidade, mas estes são minoria absoluta. O que me espanta é ver a quantidade de mulheres que, negando o ciclo natural de seu próprio corpo, concordam que a menstruação é uma fonte de impureza. Vamos analisar o problema mais de perto, do ponto de vista mágico.

As formas de magia mais populares no Brasil utilizam a menstruação como um elemento mágico, sobretudo nas amarrações de amor. No neo paganismo, a menstruação é normalmente colocada como força original e primária da mulher. Mas há muitas outras culturas que veem a menstruação como algo impuro, como os ciganos, por exemplo. Outras celebram a menarca de suas filhas, o que foi interpretado pela teoria feminista como um indício de que o corpo da mulher é mais sagrado para essas culturas do que para a cultura ocidental. Este tipo de pensamento foi o que desenvolveu a ideia francamente abraçada – sobretudo nos EUA – de  utilizar o sagrado e o religioso como formas de transformação de nossas atitudes cotidianas. Um simples gesto, muitas vezes, muda toda uma visão de mundo.

Mary Douglas foi uma antropóloga que descreveu a associação que muitas culturas realizam entre a impureza e o perigo. Sendo impura, a menstruação ofereceria algum grau de perigo. Sendo uma fonte mágica primordial, a menstruação foi, um dia, considerada o poder original feminino. Alguns cultos a deusas específicas, tomados por sacerdotes, já que suas sacerdotisas foram banidas, trocaram o sangue menstrual pelo sangue sacrificial dos sacerdotes, como na circuncisão, na castração ou na amputação dos mamilos.

O estabelecimento de uma nova ordem, com a dominação masculina e o desrespeito pelo feminino – que nem de longe é um problema exclusivo da “civilização judaico-cristã”, visto não existir uma sociedade matriarcal na face do planeta – tornaram este poder sagrado perigoso e, consequentemente, impuro.

O que fazer para mudar essa visão, pelo menos dentro de nós? Como bruxa, poderia indicar um caminho mágico, mas usar magia não serve para nada se não transformar o mundo à nossa volta. A mudança deve antes ser interna. Como diziam as feministas, “o pessoal é político”. Mudando nossas próprias atitudes e transformando as situações pessoais, nós também transformamos o mundo. Se você já se viu tratando a menstruação como algo impuro, pare, pense e reconsidere que tipo de ideologia está reproduzindo, às vezes, de forma inconsciente. Os corpos das mulheres são sagrados com todos os fluxos e humores eles contidos, assim como os corpos dos homens. Afinal, somos todos filhos dos deuses e os deuses não habitam apenas a alma.

No próximo post, vou trazer exemplos de Rituais com o sangue menstrual.

Texto do blog: http://ocantodabruxa.blogspot.com.br/2011/11/poder-feminino-sangue-sagrado.html

Afinal de contas, o que é ser um bruxo?

Durante toda nossa vida os bruxos foram categorizados como praticantes do mal e que cultuavam os demônios. Graças a Igreja Católica, as bruxas foram caçadas durante séculos e por que? Porque cultuavam uma Deusa. Isso era completamente inaceitável em um regime patriarcal.

“Na visão espiritual de nosso mundo moderno, a feminilidade há muito tempo não é
considerada tão sacra quanto a masculinidade. A mulher, em todas as religiões patriarcais — o cristianismo e o islamismo em particular — é vista como aquela que traz o pecado, a traição, a armadilha ao sexo “santo”. Mais próxima da animalidade, pela menstruação e parto, e da terra. Como pode haver um deus feminino?, as pessoas indagam. As bruxas dizem que o parto é o ato criativo original, e que os seres pré-históricos adoravam tanto os deuses quanto as deusas (principalmente as deusas) desde tempos imemoriais. Isto está descrito nas mitologias mais antigas, e identificado por inúmeras figuras e esculturas de deusas, descobertas em sítios arqueológicos, no mundo inteiro.” (BETH, Rae)

No parágrafo anterior, fiz uma breve busca à história da Bruxaria, mas não vou me ater aos detalhes pois farei um post específico sobre isso em outro momento. Citei apenas para nos situar.

As bruxas não possuem verrugas e não são necessariamente velhas. Nem usam chapéus pontiagudos ou voam em vassouras. Uma bruxa pode ser sua vizinha que adora estudar sobre ervas, sua tia que faz coleções de cristais.

O que faz um bruxo? Pratica magia. Os bruxos podem trabalhar em conjunto ou serem solitários (nome que se dá ao bruxo que pratica magia sozinho ou com um companheiro(a)). Sua magia consiste em curar e ajudar. Porém, para ser um bruxo, precisa-se de muito estudo e dedicação. Não necessariamente viver com a cara nos livros, mas precisam ler, se informar, escrever, observar e criar. Criar? Mas como? O verdadeiro bruxo não precisa de feitiços prontos, ele os cria. Mas os feitiços prontos não funcionam? Claro que funcionam, mas com o passar do tempo, algumas práticas mágicas vão fazendo mais sentido para o bruxo e o mesmo já nem precisa mais de consulta, simplesmente vem naturalmente. Para ser bruxo precisa ser mulher? Não, qualquer ser humano independente do sexo ou orientação sexual pode ser bruxo.

Quero ser bruxo, por onde começo? A bruxaria tem muitas vertentes e não há exatamente uma certa para começar. Sugiro que leia muito, leita autores diferentes, com ideias diferentes, não é legal só ler um autor pois assim como muitas coisas na vida, ter várias visões diferentes sobre a mesma coisa expande nosso conhecimento. Leia sobre a história da bruxaria, sobre instrumentos mágicos, cristais, tarot, oráculos, deuses e etc. Vou deixar no blog algumas indicações de leituras com o passar do tempo. Espero que encontrem e se surpreendam bastante com esse mundo vasto que é a Magia.

Fonte: BETH, Rae. A Bruxa Solitária.