Ritual: Plante sua lua

Para quem não sabe, este ritual, chamado de plantar a lua,  foi praticamente perdido, mas movimentos que buscam resgatar e empoderar-se da ancestralidade, e que pregam maneiras mais gentis de se relacionar-se com o próprio corpo e a condição de ser mulher, tem trazido esse hábito de volta.

No que consiste plantar a lua? Usar nosso sangue menstrual para alimentar a Terra. Isso é uma prática muito antiga que servia como oferenda à Deusa capaz de abençoar e nutrir toda a vida. Nas culturas baseadas na Terra, era mulher que conferia fertilidade ao solo deixando seu sangue menstrual fluir ao chão, enquanto caminhavam nuas pelos campos, arados e bosques.

Plantar a lua é um ato mágico extremamente poderoso capaz de despertar o poder interior da mulher e reconectá-la com a força da sua ancestralidade feminina e com a natureza. Quando a Terra é presenteada com o sangue menstrual, Ela retribui com bençãos ilimitadas devolvendo a mulher sua dignidade, força e poder, despertando toda Bruxa que existe em seu interior.

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Mas como plantar uma lua? É muito simples para quem usa coletor menstrual, porém, para quem usa absorvente descartável, tem que deixar de molho em um recipiente com água, assim o sangue vai se soltar. Mesmo que você tenha uma grande quantidade de sangue no coletor, sempre dilua com água pois o sangue puro pode ser agressivo às plantas.

Toda vez que um absorvente é jogado no lixo, é como se estivéssemos jogando nossa energia vital, que é drenada e enfraquecida.

“Muitos desequilíbrios físicos podem ser evitados e sanados através desta prática: ovário policístico, miomas, ciclo menstrual irregular, cólicas e desconfortos da menstruação, infertilidade, tensão pré-menstrual, etc. Plantar sua lua é com certeza o primeiro passo para a reequilibração de seu corpo físico; não descartando outras formas de tratamento e cuidados”, diz Morena Cardoso.

Texto adaptado por mim. Fonte: http://anaturalissima.com.br/plante-sua-lua-e-honre-seus-ciclos/

 

Ritual de celebração da menstruação

Você vai precisar de:

– velas vermelhas;
– uma granada ou cornalina;
– flores de hibisco ou outras flores vermelhas;
– seu jarro menstrual;
– vinho tinto;
– um bolo ou torta de frutas;
– incenso de artemísia ou canela;
– uma pedra chata, recolhida por você em uma cachoeira ou rio ( mais ou menos com uns 20 cm ou um pouco mais, e um pouquinho pesada, para você poder colocar sobre o ventre e fazer uma certa pressão).

Acenda os incensos e as velas (as velas podem ser untadas com seu sangue menstrual). Coloque a pedra achatada a sua frente e desenhe nela símbolos da Deusa: fases da lua, espirais, labirintos,  etc. Deixe no altar suas pedras de cornalina e granada e as flores. Pegue a pedra grande já desenhada, deite-se e coloque-a sobre o útero.

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Feche os olhos e comece a se tornar consciente apenas da pedra e do peso sobre seu ventre. Respire no ventre e se conecte com ele. Veja a cor que está aparecendo. Torne-se consciente do grande poder que o sangue menstrual implica, porque iguala você e a Deusa no processo da Criação. Medite sobre a pequena morte que a menstruação representa. Lembre-se de quanto sangue já verteu para que a humanidade chegasse aqui e perceba a irmandade que une todas as mulheres que existem e que existirão. Viaje para dentro de seu útero, percebendo-o como que forrado em rico veludo vermelho… Ande por ele procurando o fluxo de sangue.

Recupere suas forças nesse processo, recupere o poder de seu ventre. Sinta-o pulsando com essa energia vermelha, saudável e luminosa. Encerre a meditação e abençoe as flores com essa energia do sangue. Termine tomando o vinho e comendo o bolo.

FONTE: http://ocantodabruxa.blogspot.com.br/2011/11/poder-feminino-sangue-sagrado.html

O Sangue Menstrual na Magia

Para nossas ancestrais da Idade da Pedra, o sangue menstrual era sagrado. A palavra sacramento provavelmente se origina de sacer mens, literalmente, menstruação sagrada.

Menstruação significa “mudança de lua”. Tem como raiz da palavra mens, mensise está na origem da contagem do tempo. Forma palavras como medida, dimensão, metro,mente, para citar algumas.

Infelizmente, hoje, as mulheres veem a menstruação como um desconforto e procuram várias medidas para se livrarem deste. Assim injetam drogas poderosas em seus organismos sem perceberem quão violento é esse ato e quantas consequências podem trazer.

Isso é muito triste, é uma forte negação do feminino, do poder feminino, negação da própria natureza. É inconsciente, nada sábio. Aliás, se você quiser se conhecer melhor como mulher, e os mistérios femininos, fique atenta às oscilações que você sente durante seu ciclo menstrual, observe a lua e note a diferença de menstruar na lua cheia ou lua nova. Anote seus sonhos e veja as diferenças entre ovulação e menstruação.
Elabore um mapa dos padrões para ajudar você a programar seu ‘tempo da lua’.

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Ritualize sua menstruação:  aumente a fecundidade de sua vida, procure respeitar esse período, que deveria ser de resguardo, de descanso, já que é nesse momento que estamos finalizando um ciclo dentro de nós. Se não puder parar de trabalhar, pelo menos organize uma noite de relaxamento. Celebre! Sozinha, ou com suas amigas, prepare comidas e bebidas especiais para os dias sagrados. Se possível, retire-se para um lugar especial, um lugar seu, seja na sua casa ou na natureza, como um parque, um jardim, e silencie sua mente para escutar a mensagem de seu corpo, sinta o sangue fluir, perceba sua consistência e temperatura, imagine sua cor, sua força e revista-se desse poder. Pense nas suas ancestrais, tente imaginar como era esse período para elas. Agradeça a natureza por este dom.

Uma situação pouco discutida no universo mágico é o tabu da menstruação. Na sociedade contemporânea, a menstruação ainda é vista com reservas. Uma mulher bem educada não pode falar sobre menstruação, cólicas menstruais, ovulação ou qualquer aspecto de seu aparelho reprodutivo – salvo entre outras mulheres. Esse “assunto feminino” deve ser banido para os banheiros femininos, rodas de amigas e consultórios ginecológicos – sempre com o absorvente usado devidamente escondido. Enquanto isso, os rapazes falam abertamente de sua ejaculação, disposição sexual, problemas intestinais, conquistas amorosas e largam camisinhas usadas em todos os lugares, numa forma explícita de demonstrar virilidade. Qual a diferença? A diferença está na regulação imposta sobre o corpo feminino, mais especificamente sobre sua capacidade de reprodução.

Há homens que se recusam a fazer sexo com uma mulher menstruada, definindo a menstruação como algo “sujo”. Outros preferem a mulher menstruada, pensando nos incômodos da paternidade, mas estes são minoria absoluta. O que me espanta é ver a quantidade de mulheres que, negando o ciclo natural de seu próprio corpo, concordam que a menstruação é uma fonte de impureza. Vamos analisar o problema mais de perto, do ponto de vista mágico.

As formas de magia mais populares no Brasil utilizam a menstruação como um elemento mágico, sobretudo nas amarrações de amor. No neo paganismo, a menstruação é normalmente colocada como força original e primária da mulher. Mas há muitas outras culturas que veem a menstruação como algo impuro, como os ciganos, por exemplo. Outras celebram a menarca de suas filhas, o que foi interpretado pela teoria feminista como um indício de que o corpo da mulher é mais sagrado para essas culturas do que para a cultura ocidental. Este tipo de pensamento foi o que desenvolveu a ideia francamente abraçada – sobretudo nos EUA – de  utilizar o sagrado e o religioso como formas de transformação de nossas atitudes cotidianas. Um simples gesto, muitas vezes, muda toda uma visão de mundo.

Mary Douglas foi uma antropóloga que descreveu a associação que muitas culturas realizam entre a impureza e o perigo. Sendo impura, a menstruação ofereceria algum grau de perigo. Sendo uma fonte mágica primordial, a menstruação foi, um dia, considerada o poder original feminino. Alguns cultos a deusas específicas, tomados por sacerdotes, já que suas sacerdotisas foram banidas, trocaram o sangue menstrual pelo sangue sacrificial dos sacerdotes, como na circuncisão, na castração ou na amputação dos mamilos.

O estabelecimento de uma nova ordem, com a dominação masculina e o desrespeito pelo feminino – que nem de longe é um problema exclusivo da “civilização judaico-cristã”, visto não existir uma sociedade matriarcal na face do planeta – tornaram este poder sagrado perigoso e, consequentemente, impuro.

O que fazer para mudar essa visão, pelo menos dentro de nós? Como bruxa, poderia indicar um caminho mágico, mas usar magia não serve para nada se não transformar o mundo à nossa volta. A mudança deve antes ser interna. Como diziam as feministas, “o pessoal é político”. Mudando nossas próprias atitudes e transformando as situações pessoais, nós também transformamos o mundo. Se você já se viu tratando a menstruação como algo impuro, pare, pense e reconsidere que tipo de ideologia está reproduzindo, às vezes, de forma inconsciente. Os corpos das mulheres são sagrados com todos os fluxos e humores eles contidos, assim como os corpos dos homens. Afinal, somos todos filhos dos deuses e os deuses não habitam apenas a alma.

No próximo post, vou trazer exemplos de Rituais com o sangue menstrual.

Texto do blog: http://ocantodabruxa.blogspot.com.br/2011/11/poder-feminino-sangue-sagrado.html